sábado, 3 de janeiro de 2009

Começou...


Quando falei para “mainha” há três anos e meio atrás que viria estudar no Rio de Janeiro ela quase teve um ataque, sem contar que meus irmãos me aterrorizaram muitoooooooo, falaram sobre tudo, assaltos, balas perdidas, à distância deles, sobre meu medo de ficar sozinha e várias outras coisas... confesso que depois de tudo acertado quase desisti, bateu aquele “medo” do desconhecido... Enfim, aqui estou, muito tempo se passou, me formei, não fui assaltada graças a Deus, mas a distância incomoda muitas vezes, entretanto ela me mostra o quanto é importante ter uma família pra amar e ser amada.
Quem me conhece de “verdade” sabe o quanto sentimental sou... rsrsrs... e o quanto viver aqui me fez olhar ao meu redor. Como a maioria de meus amigos deve saber, no período em que estudava trabalhei numa loja, três anos, ouvindo as histórias das mulheres mais loucas, divertidas, inteligentes, tristes, solitárias, ou seja, histórias de vidas.
Durante todo este tempo, aprendi com muitas delas, fiz amizades que com certeza serão eternas e meio a tantas histórias, algumas realmente me surpreenderam. Hoje atendi uma senhora paulista super carinhosa, ela comprou algumas roupas, conversou muito comigo e depois de muito tempo foi embora, ouvi outras histórias, sorri com mais algumas, quando perto do final do expediente aquela senhora paulista voltou, me disse que queria trocar uma peça, falei que não tinha problema e que faríamos isso juntas. No meio do atendimento ela me pediu um abraço, disse que tinha gostado muito de conversar comigo, que se sentia muito sozinha e adoraria ter alguém para conversar nestes dias, quase chorei, percebi que às vezes um abraço é algo muito precioso; sem demora a abracei e percebi que ela tremia, me perguntei – Por que essas coisas acontecem comigo? Já sou uma sentimental por natureza, não gosto de ver ninguém sofrendo...
Enfim, ela me pediu desculpas por estar tão triste, me disse que há pouco tempo tinha perdido seu marido e que comprar algo hoje não tinha graça, pois sabia que ele não estaria em casa esperando-a, falou também que teve um casamento perfeito e que sempre sentiria falta dele. Lembrei-me de Dona Ana, de minha mãe, minha avó e de tantas outras mulheres que casaram, amaram e se separaram, vi que não existe fórmula para um bom casamento, mas existe a solidão, a falta de um abraço...
Quando parei numa livraria há pouco me deparei com uma poesia do Quintana onde ele dizia:

"A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas".

Adorei, até pensei no e daí? O que faço agora? Tenho o que preciso? Por que não jogo os meus medos pela janela e sigo em frente?
Só vem uma certeza, a vida é caixa de surpresas onde encontramos frutos que em algum lugar do passado semeamos, um bom começo é distribuirmos abraços, pois há muitas pessoas neste mundo precisando deles, mas não qualquer abraço e sim aquele "abraço".
Então começo este ano de 2009 desejando muitos abraços para todos, muito amor...
E que não se deixem reprovar, nem esqueçam do relógio...
...O tempo passa...

Mavie

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

...acabou!!!




Hoje quando voltava do meu trabalho pensava no que faria amanhã, último dia do ano... entre tantas opções, confesso que ficaria extremamente feliz em passar com minha família na Bahia ou no norte da Itália...rs... enfim, mesmo com todas essas dúvidas e desejos me dei conta de que o ano acabou...
Nossaaaaaaaaaaaaa, parece que foi ontem que ele começou, foi tudo tão rápido que me pergunto se algumas coisas realmente aconteceram...
Um ano de trabalho duro, desejos realizados, novos sonhos e novas experiências. Aqui, na cidade maravilhosa, fiz amizades que vou levar por toda vida, conheci pessoas que me ensinaram a ser uma pessoa melhor e descobri com outras que posso melhorar todos os dias.
Aqui vivo com saudade de gente maravilhosa, amigos baianos, cearenses, caenenses... descobri que sou parte de uma família fantástica, a qual amo um pouco mais todos os dias.
Aprendi com as histórias das pessoas que passam, ou melhor, que ficam e entre verdades e mentiras percebi que nem tudo é o que parece... Nas ruas por onde ando aprendi, sorri, me inspirei e cheguei a conclusão de que tenho muito.
Um ano de conquistas, uma Designer de Moda! Uau, mas falta muitooooooooooooooooo ainda...rsrsrs.
Agora que chegamos ao fim deste ano dei uma parada, afinal por que tanta pressa? Espero os novos instantes, mais verdadeiros, espero conhecer, ser, estar, ouvir, amar mais e é claro, falar menos...rsrs. Que venha 2009!


Mavie

sábado, 13 de dezembro de 2008

Coisas de minha cabeça...


... passei dias memoráveis no último mês, terminei minha monografia, apresentei um trabalho que segundo meus professores foi excelente...rsrs, estou a três dias da formatura, chorei muito, sorri bastante, senti muito medo da vida e alívio por estar viva - um verdadeiro emaranhado de sentimentos. Sonhei em ter alguns corações por perto quando estavam tão longe...
... amigas maravilhosas me ajudaram em momentos super difíceis, enfim, vivi intensamente. Hoje penso que de alguma forma cresci mais um pouco, afinal aprendemos todos os dias, ou não?
Ok, falar é muito fácil, mas confesso que há momentos que não aprendo nada, tipo agora, nesse minuto, me sinto meio vazia, algo como um “nada” tomou conta de mim... pode ser uma camuflagem de sentimentos, receio de um amanhã que se inicia ou algo mais... acabei de ler um livro da Clarice Lispector que falava dos “instantes”, então decidi falar deles também, deste instante em que tenho um certo medo de tudo que me cerca, principalmente do que está muito longe e claro, dos meus sentimentos tão absurdamente intensos, alguém me explica por que tanta intensidade numa pessoa só?
Por que complicamos o que deveria ser simples? Porque nos magoamos com coisas que não deveríamos nos magoar? Por conta da loucura de cada um? Affffffff, cansei de ser eu mesma por hoje, ou melhor, por este instante, quero férias dessa maluquice inconstante de minha cabeça, quero algo menos complicado, sim, porque de complicação eu entendo muito bem...
Voltando aos instantes, percebo que eles nos mostram sempre um algo mais, claro que às vezes precisamos de um tempo para “cair a ficha”...
Ah, e os sonhos? alguém me explica por que sonhamos com coisas sem fundamento, quase impossíveis? Porque eu estou cansada de tentar entendê-los... frustrada e muito mal humorada...rs - ok, não aquele mal humooooor com o mundo, só com meus sonhos...
Quando converso com algumas amigas até que fico um pouco mais tranqüila, elas me convencem que essa “piração” não é só minha, faz parte...
Acho mesmo que estou ficando velha...rs... não agüento certas verdades, o dar-se conta é forte demais às vezes, parece que de repente o mundo vira de cabeça e tudo fica mais estranho, meio vazio, inclusive os instantes... Então aguardo ansiosa outros, mais completos, menos indecisos, mais pé no chão...
Aguardo,
que as coisas de minha cabeça sejam menos complicadas, possíveis...

Mavie

sábado, 22 de novembro de 2008

Boas conversas, ótimas reflexões...


Hoje dois assuntos me fizeram “abandonar” minha monografia: O chamado “viver juntos” e a tão esquecida diplomacia...
No início ambos me pareceram dissociados, num segundo momento percebi que um alimenta o outro.
Quando digo viver junto me refiro ao relarcionar-se no seu sentido mais amplo, seja no trabalho, convívio social, escolas, ficar, namorar, casar.
Hoje o viver junto está em decadência, pois se alimenta de intolerância ao invés da diplomacia, tornando assim as relações mais descartáveis, o mais engraçado é que isso faz parte da tão aspirada modernidade. Claro que muitas vezes dá vontade de fugir de qualquer tipo de relacionamento, ir embora pra Pasárgada e não querer nem o rei por perto...rsrs...
A problemática está na falta de capacidade humana em se pôr no lugar do outro, pois se assim o fizesse viver junto seria muito mais fácil, ao contrário do que acontece hoje, onde qualquer discussão fútil é motivo de rompimentos.
A grande solução estaria em nos alimentarmos mais de diplomacia, tolerância, paciência...elementos fundamentais para vivermos realmente felizes ao lado das pessoas que amamos e que quase sempre magoamos, justamente pela falta de diplomacia aqui também utilizada em sentido amplo.
Tudo isso pode parecer bastante utópico, mas em verdade é o caminho mais seguro para uma convivência pacífica. Vocês não estão achando que eu sou a rainha dos bons relacionamentos, neh? rsrsrs....na verdade estou compartilhando uma reflexão que me foi dada por uma pessoa muito especial e a quem dedico este texto, ao Klaus.

sábado, 25 de outubro de 2008

A história das pessoas que passam...

Os últimos dias foram, como se fala na Bahia, “bem brabos”, em meio a projetos da faculdade, monografia, uma autocrítica que só cresce, trabalho, conclusão de curso, saudades de minha família, incertezas, novas metas, novos sonhos, claro que não posso deixar de falar do stress, das vezes que senti vontade de arremessar vasos em várias cabeças... rsrs... ou seja, uma trovoada de sentimentos.
Hoje acordei com aquela sensação do “e daí?” Para onde vou depois daqui? Passei os últimos três meses num ritual de estudo e trabalho, que até esqueci que existe vida além disso, agora que tudo está acabando e começando novamente me vejo perdida, bate certo medo, sinto que falta muito, como diz o Sócrates, “só sei que nada sei”...
Longe desse corre-corre, passei também dias de completa diversão ajudando a Bia a fazer uma loucura de amor... viajamos muitos quilômetros para entregar uma carta ao amado desta minha amiga..rsrs... foi no mínimo engraçado, duas mulheres, em meio a uma tempestade, casas gigantescas cheias de cachorros ferozes, tentando pular um muro...hahahaha... Acho que este episódio me deu mais vida, inspirou-me... admiro muito tua coragem em ultrapassar limites em busca do teu sonho Bia, e acima de tudo, pela maneira correta como leva a sua vida, o Dudu só tem a ganhar com o teu amor...
Diverti-me muitíssimo com as histórias de minha outra amiga Teresa, esta já me convenceu que não existe certo ou errado e sim, feliz ou infeliz... rs... a verdade é que nestes dias de “ouvinte”, percebi que penso deveras; quase morri de água na boca com as histórias do Klaus, exceto pelos tombos... e como ele mesmo me diz, devemos fazer algumas loucuras em nossa vida...rs... claro que me vi uma velha, neh? Acho até engraçado como sou encanada às vezes... mas sabe que colocando-me no lugar de espectadora, em determinadas situações, sonhos, limitações, erros, penso que de alguma forma vivi isso também. Aprendi. Mudei o que antes acreditava ser imutável.
Dizer que Bia, Teresa e Klaus não mudaram minha vida seria um erro, gosto da forma como aprendo com vcs...
Claro que ainda existem questões a discutir, como sorvetes, massas, motos, muros, cachorros e viagens... rsrsrs...
Estas histórias de pessoas que passam me enriquecem, e de alguma forma elas ficam...


Mavie

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

buone vacanze...

baci e stammi bene...


rs...

sábado, 4 de outubro de 2008

Dona Ana...

Ainda estava pensando em ir embora pra Pasárgada quando encontrei Dona Ana, uma mulher de 71 anos, mãe de três filhos e dona de uma alegria de viver contagiante. Eu, ela e mais duas amigas falávamos sobre roupas e festas quando, não sei por qual razão ela disse que estava completando 54 anos de casada. Claro que saiu um sonoro, nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Eu e minhas amigas iniciamos uma verdadeira entrevista com essa senhora, saíram as mais loucas perguntas, até que a Paty virou para ela e disse – Que maravilha... 54 anos de casada, meus parabéns!!!
- Parabéns coisa nenhuma querida – disse dona Ana, devia ter me separado quando completei 30 anos... Perguntamos em uníssono - Por quê?
- Porque eu devia ter começado tudo novamente. Tive a chance de reiniciar minha vida, mais jovem e com outro pensamento, ou melhor, com outra cabeça.
Claro que inclinada como sou ao romantismo tornei-me a questionadora principal deste “romance mais ou menos feliz” e fiquei sabendo para minha tristeza que a menos de um ano ela descobriu que seu amado marido, aos 83 anos, arranjou uma namorada e que pensava numa separação imediata com ela.
Depois de ameaças, brigas e lágrimas seus filhos o convenceram a desistir dessa idéia, além de jogar no lixo tudo que construíram, eles teriam que depois da divisão dos bens, morarem em lugares menores e menos confortáveis... Enfim, ela o mandou sair de seu quarto e passou a viver como não vivia há muito tempo. Festas com um grupo da terceira idade, viagens, noitadas animadíssimas no Rio Scenarium e uma vez ou outra no Clube das mulheres, rsrsrs... Essa até eu babei... rs... Disse-nos que não saia mais vezes por suas amigas não terem o mesmo pique que ela.
Orgulhei-me dessa senhora e como num filme, me vi várias vezes arrasada com o fim de relacionamentos, em que pensei estar sem chão por ter perdido aquele que julgava ser o meu “amor”... Ouvi tudo aquilo sem respirar, parecia um conselho impagável – Vivam - dizia ela, não se acomodem com o agora, queiram mais, divirtam-se mais... Claro que esta diversão de Dona Ana não inclui novos relacionamentos, embora tenha admitido que um Senhor “chegou” junto a ela numa dessas festas, este recebeu um não e a deixou em paz...rs, ela queria mesmo era curtir a noite, dançar!!!!
- Ainda não tenho essa coragem, busco outra coisa agora, talvez depois queira outra pessoa em minha vida, mas agora não - respondeu D. Ana.
Eu e as meninas, mesmo depois que essa senhora foi embora, ficamos horas nos comparando a ela. Pensei em minha mãe que aos 40 anos quando se separou de meu pai desistiu de relacionamentos e passou a viver o sonho de seus filhos; pensei também nas palavras de minha avó, que acredita ter morrido com meu avô quando este se foi e pede todos os dias para ir ao seu encontro... Penso nos olhos de meu pai, depois desses 12 anos de separação, parecem pedir desculpas e demonstram uma tristeza quase doída quando olha nos nossos olhos.
Penso numa infinidade de amigos e amigas que estão com o coração partido, como numa roda viva, amando, sofrendo, sorrindo, chorando, aprendendo... Tenho medo nessas horas, medo de não ter uma Dona Ana dentro de mim... Medo de aceitar o agora sem me perguntar se é isso que preciso e quero, e pior, medo de não perceber o que quero de verdade.

Mavie